terça-feira, 22 de julho de 2014

Miss Andria




"Vocês estão erradas em dizer que eu, homem, não posso ser feminista, porque isso é segregação, porque nem todo homem é machista, porque vocês estão equivocadas, e eu só quero ajudar"


Sim, estamos vendo o quanto você quer ajudar. 
Sua boa intenção já começa querendo ignorar o fato de que a maioria de nós não quer que você esteja conosco. 

Você também está transbordando cooperação apontando o dedo para mulheres que sofreram traumas, e finalmente tiveram coragem de lutar, dizendo que elas estão erradas. Está sendo muito coerente citando autores para justificar isso, ignorando que feminismo não é puramente uma teoria, mas trata-se de emponderamento das mulheres, que tiveram a sua voz calada durante tantos anos - e você, super prestativo, quer calar ou interferir de novo. És um exemplo de feminista.

Sua prestatividade é emocionante, diz que pode sim se colocar no lugar de uma vítima de violência, mas quer ensiná-la a militar com o que você acha certo. Está engajado com o fim da opressão, mas ao invés de nos apoiar, você quer discordar. Quer comparar misoginia com misandria, mas não vê que enquanto a primeira vem institucionalizada, a segunda vem do nosso trauma.

Não, você não está bem intencionado. Subestima  nossa voz, nossa opressão e nossa luta tomando o foco para si, sentindo-se afetado por não poder tomar frente da nossa militância. Nós estamos juntas porque vocês nos excluíram por muito tempo, e não vão retirar nossa voz de novo. Você não pode ser feminista, porque te falta compreensão e solidariedade. Seu discurso não é só discordante, é desrespeitoso.

Homens são apoiadores e não protagonistas. Quem realmente tem boas intenções, quem realmente quer nos ajudar, nos ouve e nos apoia. Mas nunca quer roubar a nossa voz.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Gramado!

Minha primeira postagem 100% pessoal daqui, porque no fim eu não aguentaria não escrever nada. Sabe quando você está de má vontade para viajar, só foi porque sua família insistiu, e no fim das contas não quer mais ir embora? Eu não sou a pessoa mais indicada para falar sobre viagens, porque não viajei nem 1% do que realmente queria, mas tenho certeza que essa também marcaria o meu coração.

Uma preview de como é a arquitetura da cidade TODINHA.



Gramado é uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, toda construída (quando digo toda, é TODA, até o ministério público e a brigada militar) nos estilos alemão, italiano e, em menor parte, português. Um guia me disse que algumas partes foram construídas no estilo suíço, mas não consegui identificar quais foram. 

Um dos restaurantes mais lindos que vi, no centro da cidade.

Ela possui apenas 35.000 habitantes, todos descendentes de famílias europeias - bom, isso praticamente todos nós brasileiros somos, mas ali existe preservação da cultura dos antepassados. Meus bisavós vieram da Itália, mas não vejo quase NADA de reflexo disso na minha vida, mas na das pessoas de lá existe. Ensinam os idiomas dos antepassados em casa, comem da mesma forma dos antepassados (a cultura italiana de tomar sopa antes do almoço, por exemplo, é MUITO FORTE), preservaram a arquitetura, os costumes, quase tudo. Sinceramente, não sei até onde isso é bom, até porque acredito que isso pode servir como auxílio para xenofobia, repúdio da cultura local e racismo, mas analisando puramente como turista, é no mínimo interessante.

Lembrancinhas holandesas compradas em Gramado, em uma lojinha de uma família alemã que mora no RS, e traz várias coisas lindas da Europa para revender.

As casas não têm muros, as ruas são extremamente limpas, nenhum lugar está precisando de asfalto. Eu fiquei chocada, tentando imaginar o quanto o prefeito de lá deve ser engajado com a cidade, até que o guia disse que não é só trabalho dele, mas que os empresários que moram na cidade também investem muito dinheiro nela, seja ajudando as escolas dali, seja asfaltando rua. Isso é muito interessante, e até necessário, já que 85% da população vive do turismo, e precisa que a cidade esteja impecável. Algumas fotos do centro da cidade, que infelizmente não achei sem a minha edição:





Para não dizer que a viagem foi perfeita, tivemos um grande susto: preços. Nós não fazíamos ideia de que Gramado era o segundo destino turístico mais caro do Brasil. Achávamos que os preços deveriam ser como em Porto Alegre e Curitiba, e olha: não mesmo! a média de preço de uma refeição >>individual<<, POR BAIXO, é R$50,00. Nós comíamos em restaurantes "normais", depois de pesquisarmos os menos caros, e ainda assim gastávamos mais de R$300,00 por dia em alimentação - estávamos em três. A casa de fondue mais recomendada cobrava R$90,00 por PESSOA. Casas muito menores que a minha custam lá DOIS MILHÕES DE REAIS, simplesmente por estarem em Gramado - aqui, deveriam valer no máximo R$500.000. O preço de um apartamento lá é de 1 milhão! Não existe pobreza, pedintes, mendigos, índios ou qualquer coisa semelhante, justamente porque um andarilho precisaria juntar uns R$25,00 para comprar um sanduíche e um suco naquela região. 

Eu quero engolir essa arquitetura!!!!


Por último, minhas recomendações para quem quer visitar a cidade são:
1) Só vá se você está tranquilo financeiramente. Se você já teve que economizar só para pagar hospedagem e passagens, não vai poder fazer quase nenhum passeio ou refeição. Lá, as coisas são MUITO CARAS!
2) Não precisa ficar uma semana lá. Se você tiver disposição pra andar das 9 da manhã até a hora de jantar, em quatro dias já conseguiu visitar a maior parte dos pontos, de Gramado até Canela (cidade vizinha e linda também).
3) Vale a pena pagar aqueles guias que vêm com carro para te levarem nos lugares. Eles te buscam de manhã e te entregam as 18 horas, custa em média R$200,00, e se você mandar o cara te levar na pqp, ele vai na pqp numa boa. É ótimo porque eles sabem os horários dos lugares, preço, disponibilidade, localização, TUDO, você não precisa quebrar a cabeça para ir em lugar algum.
4) Tenha em mente que a cidade é cara, e que o atrativo dela é justamente parecer uma cidadezinha europeia. Não vá lá achando que vai almoçar Outback e jantar Burger King, não existe shopping, a comida vendida lá é 95% italiana e alemã, e quase não tem fast food. Até onde me disseram, só existe UM Mc Donald's bem pequenininho. Quer comer sushi, mexicano, comida árabe, yakissoba, ir em festas, jogar boliche? vá para Porto Alegre, não para Gramado.

Por fim: já estou com saudade. :')


Fechando com uma foto minha e do brotha, em um dos únicos lugares com entrada grátis, o Le Jardin/Parque da Lavanda. Lindo, lindo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

"Ah, mas tem que perdoar!"

Essa aí da imagem é você se desdobrando em 5 pra tentar perdoar alguém.


      Provavelmente, todo mundo que teve criação cristã se vê por toda vida perseguido por alguns costumes e "valores" que foram introduzidos na sua cabeça, desde quando você, talvez como eu, achava que a história do anjo da guarda estar sempre com você era uma tremenda de uma falta de privacidade. Tanto que eu não queria trocar de roupa, porque pensava que o anjo estava me olhando, e tinha vergonha. Mas anjos à parte, a cada dia comprovo mais que o foco da minha culpa cristã é esse aqui: o tal do perdão. Ah, tem que perdoar. Quem não perdoa é orgulhoso. Tudo se resolve com perdão. Pai e mãe é sagrado, não pode ter ressentimento deles não. Perdoe. Perdoe. Perdoe. Sinceramente? não.
    Muitas vezes passei por problemas sérios e literalmente corri para os braços da religião, inclusive de religiões diferentes, e sempre ouvi o mesmo: tem que perdoar!! Nunca o foco foi a minha tristeza, o meu trauma. Eu que estava errada, porque não perdoava. Então, eu ignorava toda a situação que estava passando e tentava simplesmente tratar o responsável pelo meu calo da melhor maneira possível.

E não. Isso não tem nada de perdão. 
Perdoar não pode ser exigido. Não pode ser só olhar pra cara de quem te fez tanto mal e dar um sorriso.
E por último: não, você não precisa perdoar ninguém não.

   Sabe, parece tão óbvio falar que só nós mesmos sabemos o fardo que carregamos, mas ao mesmo tempo não é isso que nos aconselham. Foi agredidx? está se sentindo mal? alguém fez você ficar traumatizado, triste, decepcionadx, isso te prejudica mesmo depois de ter acabado? o foco está em você. E fica ao seu critério, quando superar, perdoar ou não. E que fique bem claro que, mesmo superado, perdoar não é esquecer. 
   E tudo isso não é ruim não. Na igreja podem falar que é orgulho, que não vai te trazer nada de bom, que o maior prejudicado é você. E acredite: a partir do momento em que você afasta o que te faz mal, dá um tempo para digerir tudo, consegue cuidar de si mesmx ao invés de ficar "MAS EU PRECISO ESQUECER DESSA MÁGOA", está te dando a maior ajuda do mundo. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, cada um sabe o que sofre e já sofreu, o que precisa fazer, o tempo necessário, e, acima de tudo, quem é que vale a pena querer perto ou não.