Antes de até mesmo introduzir o assunto desse post, eu queria deixar claro que não será um texto culpabilizador. De maneira alguma. O que eu queria, mesmo, é que as pessoas, particularmente as mulheres, particularmente as que passaram pela experiência que eu vou contar, parassem para pensar até onde esse tipo de sentimento é real e vale a pena. E agora sim é hora de introduzir.
Há anos na internet me deparo com posts motivacionais de moças, com fotos comparativas de hoje, magras e malhadas, e de anos atrás, cheinha. E quase nenhuma menciona que mudou os hábitos pela saúde - no máximo, a saúde vem só como um adicional. O foco da mudança e da motivação é dizer que "hoje me sinto bem comigo mesma". Como se isso fosse realmente bom.
Você se sente melhor porque foi pressionada para entrar em um padrão, porque as pessoas agora te tratam melhor, porque as roupas da moda agora servem em você, porque só agora começaram a enxergar beleza em ti - talvez, até você mesma só conseguiu se sentir bonita agora. Porque sua autoestima agora está alta? não, porque colocaram na sua cabeça que ISSO é ser bonita. Porque a sua Barbie era magra, as modelos são magras, as capas de revistas femininas são magras. "E não pode ser uma preferência minha?" a partir do momento que nenhum de nós foi criado numa bolha sem imposição de padrões, onde teve a opção de avaliar magro e gordo como quem avalia azul e amarelo, não. Você só acha que tem. Mas em um mundo onde o considerado bonito não corresponde à média do biotipo das mulheres, dá para prever que tem no mínimo algo estranho nesse meio.
E a nossa válvula de escape é tentar meter na cabeça que você não, você escolheu ser magra exclusivamente pela saúde (mas mesmo magra continua bebendo álcool, refrigerante, fumando, comendo fritura...) e não por imposição. E achando ofensivo quando alguém diz o que estou falando. Olha, eu não sei se você sabe, mas eu também sou mulher, também fui socializada como mulher, pressionada do mesmo jeito que você foi e já dei as mesmas desculpas que você.
A época em que eu fui menos saudável foi coincidentemente a época que fui mais magra. E eu não acho que eu seja uma exceção no mundo, que todo o resto das meninas que se tornaram magras têm uma alimentação incrível e balanceada. "Mas você sabe que tem gente magra por causa de genética e bons hábitos, né?" claro, e esse texto não é para essas pessoas. Está tudo ok com elas. Estou falando para gente como eu, que não tem a melhor das tendências, que se envolveu nas próprias mentiras sobre alimentação e que não queria abrir a cabeça para o que eu estou dizendo aqui.
E de novo: isso não é culpabilização. E nem mesmo acha que seja um pensamento libertador. Tomei consciência do que disse e o mundo continua a mesma merda de sempre. E aí? talvez eu nem queria saber dessas coisas, estava feliz curtindo a minha mentira. Mas deixei de curtir mentira para curtir rocambole de morango. E lá vou eu.

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