Provavelmente, a maior mentira que contamos na nossa vida todinha é de que somos livres, que não nos importamos com a opinião alheia, que se nós mesmos gostamos, está tudo bem. Nunca é 100% assim. É incrivelmente fácil não levar a sério um comentário de alguém dizendo que não gosta das suas roupas se você não gosta das dela também, por exemplo. Não gosta de xadrez? ok, sua estampa de oncinha é terrível na minha visão também. O problema é que uma hora ou outra você vai se pegar fazendo alguma coisa pra agradar alguém. Você sabe que deixar pelo crescer não é falta de higiene, se você se limpa e usa desodorante, mas você tira os pelos. Você toca o foda-se por ter barriguinha, mas seu(a) parceiro(a) fala que você tem que emagrecer, e você vai nessa. Seu amigo fala que as pessoas em geral te acham frio(a), e você começa a tentar ser mais simpático. No fim, a autoaceitação, o momento em que você pensa "FINALMENTE, TÔ ME AMANDO!" é quando os outros começam a te amar primeiro.
Porque ninguém quer ficar sozinho. E por isso a gente cede.
Mas se as pessoas soubessem lidar com diferenças, com a felicidade alheia, ninguém ficaria sozinho de forma alguma.
Temos uma necessidade enorme de estarmos em um meio social, só que para entrar nesse meio tem quase que prestar vestibular e preencher todos os requisitos. Isso é extremamente triste, é deprimente, e o pior de tudo é que podemos pensar sobre isso diversas vezes, mas no final estaremos tentando fazer uma média com os colegas de trabalho. E sempre, sempre, acaba enchendo o saco uma hora. Até porque parece que as exigências alheias nunca são suficientes.
Espero, um dia, conseguir olhar pra essas todas exigências e só responder cantando Novos Baianos:
"Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta"

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