A gente cresce ouvindo de todos que, a menos que você esteja na UTI ou passando fome, não existem motivos para reclamar e nem para ser infeliz.
Olha, isso é meio verdade. Essa história de nascer de novo depois de quase morrer num acidente, por exemplo, e depois disso começar a agradecer e agradecer realmente acontece. O problema é justamente PRECISAR que a desgraça venha para começar a agradecer.
O ser humano não é 8 ou 80, não basta pra ele não estar na UTI e ter miojo no armário pra ser feliz. No mínimo, ele queria que o miojo fosse sabor galinha e não feijão. É um poço de insatisfação, de crítica e descontentamento, que ouve a Lana Del Rey cantando "(...) and my life is sweet like vanilla is" e pensa "poxa, a minha vida não é doce igual baunilha não, se a Lana depressivona com essas músicas tem vida de baunilha, para mim a situação deve estar feia, porque a minha tem gosto de miojo feijão".
Porque ser humano nasceu pra tudo, menos pra racionalizar vontades. Para perceber que, mesmo querendo mais, não precisa ver as coisas como menos. Como diz a Vee de OITNB, carpe diem funcionava muito bem na época em que a expectativa de vida das pessoas era só 40 anos. Agora, dá tempo de esperar, de planejar, de ter calma, não precisa enfiar um #100HappyDays e ter que pedir pizza de chocolate com morango pra conseguir ficar feliz.
Felicidade é aprender a esperar. É ter a confiança que agora as coisas podem não dar certo, mas no futuro vão, porque você está trilhando um caminho pra isso. É questão de segurar a ansiedade, ao invés de reclamar por não ter de imediato.
Não significa que não pode querer aproveitar nada, que tem que esperar até tudo ser flores. Eu também queria fazer um #100HappyDays, queria chamar a galera pra comer pizza de pepperoni, tomar cerveja, assistir family guy TODO SANTO DIA (com eles lavando a louça, porque se eu tivesse que limpar não seria happy day). O que eu quero dizer é: a gente consegue, sim, fazer 100 dias felizes sem querer. Não precisa toda hora ter comida boa e bagunça. A felicidade pode estar nas coisas pequenas, pode ser acordar de manhã e ajudar sua mãe com a casa vestindo pijama, pode ser observar uma flor, pode ser tirar um minutinho pra ver a lua lá fora.
E, como ouvi uma vez em uma palestra do ministro Luiz Roberto Barroso, as coisas não caem do céu. Ou, no fim, caem. E se caírem mesmo, agradeça.

Minha única contribuição é que TODO miojo é sabor galinha, de modo que ter miojo sabor feijão não é razão para ficar infeliz!
ResponderExcluirHeh.
Essa dosagem de felicidade é um pensamento interessante. Nós não precisamos lutar com a dor; apenas ver o que existe de bom mesmo nos piores dias. Talvez o segredo da vida feliz esteja em se importar mais com os sucessos - sejam pequenos, diários, ou objetivos concretos perseguidos por anos.
Mas discordo de você que a esperança leva à felicidade. Acho que é o contrário: se eu tiver esperança, acabo confiando demais no sucesso, e isso pode me fazer até mesmo falhar (!), além da decepção. Talvez esteja confundido o significado de esperança com ímpeto, ou "não ponderamento" - a palavra correta me fugiu agora -... Mas aprendi a evitar frustrações acima de acreditar no dia seguinte melhor. É um pouco relativo, claro.